Tuesday, March 25, 2025

 

Ainda estou aqui.

Pois é. Passou quase uma ano. A recuperação do enfarte foi rápida e tenho estado bem. Menos mal. Por isso, não só ainda estou aqui, como estou satisfeito por estar. A vida pode tratar-nos muito bem e pode tratar-nos muito mal. Independentemente do nosso mérito ou demérito. Não sabemos se por decisão do destino, por erros nossos ou por sucessão de acasos. A vida permanece um mistério. Irresolúvel, mas que permite ser vivenciado (por um tempo limitado, na verdade muito menos do que desejaríamos, se a vida nos tratar bem). O nosso mundo é uma mistura incindível de extrema beleza e complexidade e extrema crueldade para todos os seres vivos). É incalculável a quantidade de seres inocentes (humanos e não humanos) que sofrem horrores a cada instante que passa. Os poetas percebem isto, com a sua apurada intuição e tentam em vão partilhar esse saber. Porém nem a Razão nem sequer a linguagem podem desvendar o mistério. (A sensibilidade poética pode coexistir com a ausência completa de expressão poética. Grandes poetas deswconhecidos vivem ou viveram poeticamente, sem ter escrito um único poema). Um filósofo sul-africano afirmou que não viver é preferível a viver. Não concordando, tendo a ver as coisas assim: Viver é apenas um átimo melhor que não viver. Quase se equivalem. Da mesma forma que o Tudo e o Nada, as duas possibilidades do real, quase se equivalem, sendo o Tudo apenas ligeiramente predominante, pelo menos por algum tempo (cósmico). Agradeço todos os dias o milagre da vida, por ela existir e me permitir partilhá-la, por ora, sem ser maltratado.

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