Thursday, December 30, 2021
Os Ricos e os Pobres
O mundo tem de tudo, em quantidades inimagináveis.
Tudo de bom e de mau, de belo e de feio. De necessário e de supérfluo.
Tem até dinheiro em quantidades inimagináveis.
Demais, nas mãos de alguns e de menos nas mãos de muitos mais.
Porque tem a riqueza a estranha mania de se concentrar, de subir na escala social, enchendo os bolsos mais cheios e esvaziando os mais vazios? (o povo diz que a água corre para o mar...).
A inteligência humana está distribuída de forma bastante disseminada, podendo germinar e desenvlver-se em toda a parte, entre os ricos, entre os pobres, entre os belos e os feios, entre os bondosos e os malvados.
Mas se os ricos não são necessariamente mais inteligentes do que os pobres, porque é que os ricos tendem a ficar cada vez mais ricos e os pobres, mesmo os mais inteligentes, tendem a permanecer pobres?
Creio que seja por isto: os ricos podem “comprar inteligência”. Contratam os mais inteligentes para servir os seus propósitos de acumulação continuada de riqueza. E nunca faltaram destes escelentes servidores para cumprir tal tarefa, que beneficia ambas as partes, pois quem serve bem os ricos, também costuma ser recompensado.
Continuam a ficar para trás os outros, a grande massa dos que se ocupam das suas pequenas vidas, tentando viver (ou sobreviver) o melhor que podem, mas com muito poucas hipóteses de subir de patamar na escala social.
Duas exceções relevantes eram o casamento rico e a formação académica superior. Nem essas subsistem hoje. Por um lado, os casamentos tornaram-se contratos voláteis. Por outro, os vencimentos da gente formada são hoje idênticos ou mesmo inferiores à média dos vencimentos dos não formados.
Num breve futuro, que já começou, a Inteligência Artificial estará no mercado, para quem a possa comprar. Isso aumentará ainda mais o fosso entre os ricos e os pobres. Aqueles tenderão a formar a casta dos que tudo podem e estes, a massa dos milhões de supérfluos, que somente consomem e poluem. O perigo destes serem vistos como descartáveis espreitará cada vez mais na mente dos primeiros.
Goste-se ou não, é assim que as coisas são.
P.S. Ricos. Aqueles para quem a perda de um milhão (de dólares ou de euros) representa o incómodo equivalente à perda de mil euros para uma pessoa comum. Sei que existem, embora não conheça pessoalmente nenhum.