Friday, August 07, 2020

 

Poder

Nada parece ser mais importante para os seres humanos, que ter e/ou exercer poder. Poder significa conseguir que os outros façam (e se possível pensem) conforme a nossa vontade. Pode conseguir-se ter poder sobre o outro (ou outros) de muitas formas. Desde as mais rudes (violência, física ou psicológica ou ameaça de violência) até às mais subtis (sedução, promessas, argumentação, lábia, enganos, persuasão...) passando por muitas outras (até um bébé percebe rapidamente o poder que o seu choro estridente tem sobre os adultos, que logo se apressam a cuidar dele, só para tentar parar o incómodo insuportavel). Começamos por ser sobretudo sujeitos passivos do poder alheio, na família, no círculo mais alargado de pessoas, na escola...). Crescemos a fazemos tudo para conseguir passar para o lado ativo. Queremos poder para o exercer sobre os outros, não só pela satisfação íntima e segurança que nos dá, mas por assim conseguirmos defender-nos melhor dos poderes alheios. Ter ou acumular dinheiro ou fortuna é talvez a forma mais segura e ambicionada de ter poder. Porque o dinheiro compra (quase) tudo: bens e serviços, prestígio social, respeito, influência, temor e consciências (corrupção, por exemplo). A política representa a segunda forma mais atrativa de ter ou exercer poder. Na política, a mera aparência ou imagem pública de poder já constituem em si mesmas um poder relevante. Assim, todos buscam ter poder e evitar sofrer a influência dos poderes alheios. Mesmo assim, ninguém está imune. A manipulação de consciências pelos mass media exerce o seu poder modelador, diariamente, sobre todos. Por isso é conhecido pelo quarto poder (a somar aos tradicionais legislativo, executivo e judicial). Evidentemente que o poder maior é o poder do Estado. O somatório dos seus poderes não deixa ninguém imune e, se em democracia é exercido de formas mais suaves e aceitáveis, nos regimes autoritários, particularmente nas ditaduras de vária ordem, os cidadãos são pouco mais que números, contribuintes, soldadesca ao dispor do Estado, com prisões e degredos como pano de fundo tenebroso sempre presente. Não esquecer que, no limite, o Estado pode extinguir a vida do indivíduo (Estados que aplicam a pena de morte) ou exigir que “dê a vida pela Pátria”, em tempos de guerra. O conhecimento também é uma forma de poder. O que sabe mais (em particular na sua área profissional) está em vantagens sobre os demais. E disso tira partido, beneficiando sob muitas formas, da sua posição (em prestígio, influência e economicamente). O poder (exercê-lo ou sofrê-lo) é uma constante na vida humana. Mesmo os pais mais carinhosos exercem poder, por vezes excessivo, sobre as suas crianças. E mesmo os donos menos autoritários, exercem poder de variadas formas sobre os seus animais de estimação, frequentemente ignorando as suas preferências, em detrimento das escolhas do dono. Pessoalmente, não aspiro a ter poder e não aprecio exercê-lo: se necessário, aceito usar a mais suave das formas de poder: a persuasão afetuosa (e se não funcionar, aceito sem problemas). Basta-me evitar ao máximo ser sujeito passivo dos poderes alheios. Para tanto, mantenho a consciência vigilante e procuro gerir bem as minhas energias, por forma a não ser uma vítima fácil.

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