Friday, June 19, 2020

 

Descascando a cebola



Descascando a cebola do ser que somos, o que vamos encontrar?

Removendo o ser social, removendo o corpo físico, removendo a mente, o que fica? O que subsiste no centro do que somos? Eu não sei, só posso alvitrar. Imagino que, despido o corpo físico, desligada a mente, o que fica é rigorosamente nada. Somos um átomo de nada, revestido de corpo/mente, um veículo material que nos permite viajar no espaço/tempo, transitoriamente.

No fim da viagem, esse átomo de nada regressa para sempre ao mar imenso do nada, de onde proveio.

O que achamos que somos, o ego cultivado, a persona que desenhamos para nós, é mera aparência de ser, é uma espécie de ilusão ótica, tão complexa e credível, que acreditamos ser “aquilo” e os outros acreditam no retrato que “tiram” de nós.

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