Friday, January 03, 2020

 

2020 Oxalá


Fui um menino precoce nas letras, o que muito maravilhava os meus pais. Era feliz, brincava bastante, sozinho (filho único) e com outros meninos, sobretudo nas ruas e nos campos em volta da minha aldeia – a Jungeiros de outrora.

Por ter pai autoritário, embora não violento comigo, desenvolvi uma personalidade marcada por alguma timidez. Acentuada por usar óculos desde os seis anos. Os outros miúdos corriam e saltavam, jogavam à bola ou mais tarde, iam buscar para dançar as moças nos bailes populares. A mim, os óculos atrapalhavam muitas dessas coisas banais (para os outros).

Como fui sempre bom aluno ou pelo menos razoável, prossegui estudos sem grandes dificuldades e formei-me em Direito aos 23 anos em Lisboa (FDL).

Consegui vencer alguma da tal timidez. Acabei por dedicar-me ao ensino (seis anos) e à advocacia. Sem grandes resultados, pois a minha personalidade não se enquadra muito bem nas exigências da profissão. Para piorar, a evolução das leis e das práticas forenses foi no sentido que menos me agradou: em vez de simplificação o sistema trouxe muito maior complexidade e, pior, com a massificação da profissão, deixou de ser rentável para muitos, eu incluído.

Quase nos 60, não vejo o futuro nada risonho (parece tender a piorar). Porém, devido a um inesgotável otimismo, que também sempre foi apanágio da minha maneira de ser, acabo por ir folheando os dias o melhor que posso, como se fosse em direção a um futuro, se não radiante, pelo menos bonito (como o presente).

Claro que em termos práticos, dependo do apoio da Conceição para poder levar esta “vida flauteada”, como ela diz.

Que assim possa continuar a ser, por este 2020 afora!

Oxalá!.

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