Monday, July 08, 2019

 

Egos



Relacionas-te com egos, não com pessoas. Os egos são as carapaças de carater (W.Reich) que cada um tem de usar para fins de convivência (e sobrevivência) social.

Todos nos sabemos frágeis e mortais. Mas seguimos fingindo (para aos outros e para nós mesmos) que somos fortes e viemos para ficar (através da obra, da fama, da descendência).

Porque a verdade é insuportável (somos frágeis e mortais) cobrimo-la com uma capa rija, que nos protege do mundo e dos outros e nos permite de certa forma enganar a nós mesmos – o ego.

O ego tem tendência a inflar, e infla muito em certas pessoas – ricos e poderosos, políticos, militares, juízes, e todos os que se julgam muito acima do homem comum.

A morte pode surgir (para qualquer um, novo ou velho, rico ou pobre, presidente ou sem abrigo) a qualquer instante. Isto é uma verdade difícil de incluir na consciência do dia a dia. Remetêmo-la para uma gaveta fechada, que só abrimos quando é mesmo necessário (quando alguém que nos importa se vai).

Quem faria planos de futuro se estivesse sempre consciente de que a qualquer momento pode morrer ou morrer quem lhe é importante? Quem criaria filhos se estivesse consciente de que a qualquer momento lhe poderiam morrer? Quem compraria casa, ficando com dívida bancária a trinta anos, sabendo que pode morrer a qualquer instante? Ou fundaria uma empresa que só dará lucros daí a alguns anos, se pode ficar pelo caminho? Ou iria "fazer" faculdade durante anos e mestrados e doutoramentos, sabendo que antes do final ou no final pode estar um percalço chamado fim?

Tudo funciona pois assente não na incómoda verdade, mas em pressupostos imaginários, de otimismo sem base, mas útil às vidas individuais e às comunidades e à economia. Por isso deixemos de perseguir a verdade e quem acaso a encontre, guarde para si o segredo.

O ego (o dos outros e o teu) é absolutamente necessário. Porém, tu não és esse ego. Tu és a consciência que sabe e sabe que sabe. Tu és uma partícula de um mistério colossal, uma presença misteriosa e única.

Alegra-te, não és grande (que importa?) mas és parte de algo incomensurável. E sabes.

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