Friday, July 05, 2019

 

A Fonte e o Poço




O somos? Fisicamente, um mamífero terrestre. Um animal social, cujo desenvolvimento está intimamente ligado ao meio onde cresceu e vive. Espiritualmente, uma fonte. Uma fonte de água pura, uma fonte inesgotável de amor e amabilidade.

Desde cedo, de forma contínua e com afinco, os outros insistem em modelar-nos (família, amigos, escola, religião, autoridades, meios de comunicação, sociedade em geral). Resulta. Tanta tralha nos inserem na mente que quase entopem ou entopem mesmo, essa maravilhosa fonte que trazemos de origem e é a nossa maior (talvez a única) riqueza: uma presença amavel, para todos disponível (como todas as fontes). Que por mais de que dela bebam, jamais secará.

Ao mesmo tempo vão escavando em nós um poço cada vez mais fundo, escuro, cheio de

medos, culpas e ameaças.

Temerosos, em vez de matar a sede alheia (como era a nossa vocação inicial) passamos a ser nós os sequiosos. De afeto, aceitação, amor.

Essa carência jamais pode ser saciada. Não chegarão a fama ou o dinheiro, as casas e os carros, amantes, prestígio, poder, objetos, viagens, experiências e novidades, nada vai conseguir matar essa sede.

É essa sede insaciável que puxa pela sociedade de hiperconsumistas em que o mundo moderno se transformou. Uma economia mundial crescente, uma população mundial crescente, necessidades crescentes, uma só Terra, cada vez mais esgotada, cada vez mais cansada desta praga.

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