Tuesday, June 18, 2019

 

O Direito e a Vida



Quando eu era jovem, deixei-me distrair demais da beleza extrema da vida, por ter escolhido uma área de estudos que privilegia o uso do intelecto na dissecação e regulação da vida social dos indivíduos e das instituições.

O Direito, apesar da sua aridez vital, fascinou-me porque exibia a afirmava a inteligência humana.

Depois de formado e porque era preciso “ganhar a vida”, exercer uma profissão, tentei vários caminhos, todos tendo por base a minha área de formação académica (magistratura, registos e notariado, ensino) e acabei por prosseguir o ensino (nos primeiros anos) e pela advocacia (até ao presente).

Durante alguns anos, fui-me adaptando às exigências e características da profissão, exercida na província. Não me preencheu, mas bastou para me deixar a sensação de suficiente enquadramento socio-profissional.



Com o tempo, a vida social e a ordem jurídica foram-se tornando cada vez mais complexas. E eu, divergindo cada vez mais, buscando a apreciando cada vez mais a simplicidade.

Reencontrando a inteligência, afinal, por toda a parte, em todas as expressões de vida e mesmo em todas as expressões da matéria. Até a água, o ar e um simples átomo são expressão de uma inteligência intrínseca, que só pode ser atribuída a uma energia comum criadora, impulsionadora de tudo o que se manifesta na existência. Posso chamar-lhe energia super-inteligente, super-poderosa, supremamente bela. Ou chamar-lhe simplesmente Deus. Acontece que o Direito cresceu (na sociedade) para ficar afinal muito pequeno (na minha mente) perante a grandeza de tudo o que ficou fora dele e é, isso sim, verdadeiramente grande. E me encanta definitivamente.









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