Friday, June 07, 2019
Futuro
Quando eu era jovem (que jovem era)
achava que teria um futuro radioso. Não sabia bem o quê, mas como
menino bem comportado, estudante bem sucedido e pessoa geralmente
saudável (tirando a miopia), nada me dizia que a vida pudesse ter
grandes contratempos e muita coisa boa ainda viria. De facto, muitas
chegaram, sobretudo alguns amores e ter sido pai de duas boas
meninas.
Mas como profissional não passei da
mediania. Não me encantou quase nada o exercício da profissão e
menos ainda o facto de não ter dela grandes proventos. E com o tempo
só piorou. Há muito mais advogados e os assuntos que vão
aparecendo são quase todos do mais chinfrim que há. Apesar de
muitas melhorias nos métodos de trabalho, tal foi negativamente mais
que compensado pela enorme complexificação da Ordem Jurídica. A
profissão tornou-se com o tempo muito mais complexa e muito menos
compensadora. Acresce que com a diminuição da capacidade de memória
(após enfarte gravíssimo aos 50 anos), a minha capacidade de trabalho e
meu interesse pelos assuntos e pelas novas leis tem vindo a diminuir
gradualmente. O meu futuro não foi radioso. Era uma ilusão própria
da idade e da falta de experiência de vida. O meu presente é
periclitante: E agora o (resto de) futuro parece cada vez mais
ameaçador. Sigamos.