Wednesday, May 15, 2019
Relativismo
No mundo material tudo
tem dimensão e limites. Essas dimensões são relativas.
Relativamente a mim, os micro-organismos que me habitam são ínfimos,
de modo que posso ignorar a sua existência (exceto quando me causam
doenças). Em relação a eles, eu sou infinitamente grande,
inconcebivelmente grande, logo eles simplesmente ignoram a minha
existência.
Mas um micróbio é ainda infinitamente grande relativamente aos átomos que
o compõem e cada átomo um mundo relativamente às ínfimas
partículas que o compõem, cuja descoberta científica ainda vai no
adro.
Entretanto, eu sou ínfimo
relativamente ao planeta que habito. Este é ínfimo em relação à
Via Láctea, esta em relação ao Universo (e este, quem sabe, ínfima
parte do Multiverso – composto infinito de Universos).
Além das dimensões
reais, de uma alucinante diversidade, existem as dimensões
aparentes, as que decorrem da proximidade ou afastamento
relativamente ao observador. Quanto mais perto, maior, quanto mais
longe menor (aparentemente).
No plano mental, talvez
ocorra algo semelhante: o que consideramos próximo parece sempre
maior e o que consideramos longe, parece sempre menor.
No plano emocional, idem.
O que toca nos nossos ente-queridos afeta as nossas emoções de
forma intensa; já o que afeta outros, meros conhecidos, afeta menos
e o que afeta estranhos, do outro lado do mundo, mal afeta ou nem
isso.
O mundo moderno, baralhou
bastante a nossa noção instintiva e ancestral de proximidade e
distância. O que era longe fez-se perto, o que acontece do outro
lado do mundo pode ser visto e ouvido em direto, em qualquer outra
parte do mundo, entrando pela nossa mente a toda a hora sem pedir
licença. Além de podermos comunicar com outrem, ignorando a
distância física. Tudo isto nos afeta e modifica. A soma de toda a
informação que hoje nos chega e entra na nossa memória/armazém, é
infinitamente maior do que a que chegava às mentes dos nossos
antepassados. Isto vai transformar o ser humano, gradualmente, de
forma relevante e alcance ainda difícil de avaliar. Um novo tipo de
ser humano e um novo mundo estão a surgir, apoiados nas tecnologias
em alucinante evolução e na sobrecarga de estímulos mentais e
informação.
Continua a ser
necessário, porém, distinguir as coisas e os factos, tanto sob o
ponto de vista da sua dimensão real como da sua dimensão relativa
(isto é, relativamente a nós, ao ponto onde nos encontramos).
Precisamos ter uma visão clara e um equilíbrio que nos permita
viver de forma saudável e com alegria a nossa vida concreta, o nosso
único bem verdadeiro (ainda que volátil).