Friday, May 10, 2019

 

A Eternidade



Tal como Deus, também a sua obra deve ser infinita, ilimitada, eterna. Se assim for, tudo o que o presente ilumina é apenas uma ínfima parte da eternidade. As restantes estarão algures, no que chamamos passado ou no futuro. Mas no nosso nível de consciência, onde só cabem realidades ou conceitos finitos, nem Deus, nem universos infinitos nem eternidades cabem (porque não poderiam caber. Como caberia o infinitamente grande no infinitamente pequeno?).

Mas se, tal como cada átomo é eterno, cada momento, com tudo e todos que nele se contêm, também for eterno então nós, os que agora existimos, tal como todos os que antes existiram e todos os que virão a existir, fazemos parte da eternidade (ou de Deus).

No nosso nível limitado de consciência isto pode parecer um absurdo, mas quem sabe seja real e mesmo compreensível noutros níveis mais apurados de consciência? O nosso nível de consciência é o adequado para viver um tempo limitado e uma vida limitada. Mas a complexidade “daquilo” de que somos parte é infinitamente maior do que o que está ao nosso alcance compreender.

Ou então isso é apenas uma fantasia que a minha mente desenhou. E afinal tudo muda, nada é eterno, nada vale a pena, tudo e todos se vão, a seu tempo, para o mar do esquecimento, de onde jamais regressarão.

Não sabemos. Não vale a pena fingir que sabemos. Ou adotar crenças alheias.

Prefiro manter o espírito aberto ao que vier desaguar perante o meu olhar da consciência. Esta vida, absolutamente extraordinária, existe e eu faço parte dela. Isto só por si já é assombroso. Pode ser que outras “coisas” tão ou mais assombrosas ainda se venham a revelar ao meu entendimento.

Senão, só o ter percebido a imensa maravilha de estar vivo – participar de uma “coisa” tão deslumbrante – já é uma dádiva incomensurável.

Gratidão.

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