Tuesday, March 19, 2019
Programação
Somos programados
desde muito cedo pela família, amigos, vizinhos, escola, sociedade
em geral, hoje em dia em especial pelos media e pela net. Buscam que
sejamos de determinadas formas e não de outras. Chamam-lhe processo
de socialização e só termina com a morte.
Querem-nos
trabalhadores, submissos, cumpridores, responsáveis, conhecedores,
de bom trato.
Tudo isso é bom,
sobretudo para a sociedade. Pode não ser sempre bom para cada um de
nós. Existem aspetos da nossa personalidade que ficarão para sempre
na sombra. Isso não é sempre mau. Mas se for possível, não
devemos desativar tudo o que não convém à sociedade, mas convém a
nós. É um equilíbrio difícil mas necessário. Não podemos ser
rebeldes demais nem consumidores acéfalos e zombies pagadores de
impostos.
É preciso ir
desligando alguns dos programas que nos incomodam. Um deles é o que
nos faz sentir mal, com vergonha, quando não sabemos algo que
julgamos ter a obrigação de saber. Na escola fomos programados para
ser avaliados, competir com os “nossos iguais” e ser
desvalorizados quando “não sabemos” o que era suposto sabermos.
Ao longo da vida esse programa só nos vai trazer desconforto. Se
pudermos desligá-lo, melhor para nós. Quando sabemos, ótimo;
quando não sabemos perguntamos ou pedimos ajuda. E isso em nada nos
diminui e em nada afeta a nossa inata dignidade de seres humanos. Se
cometermos erros, tentamos corrigi-los e sobretudo temos de
assumi-los, em vez de buscar culpas alheias. Como se dizia, “não
há ninguém que não erre só em pensar que não erra é o primeiro
erro que comete”.