Sunday, March 17, 2019

 

India




A India tem uma longa tradição de gurus e “godmen”, de múltiplas tradições dentro do hinduismo.
É uma manancial gigantesco de crenças e práticas, das quais uma das mais antigas e famosas é o Ioga, hoje disseminado por praticamente todo o mundo, havendo mesmo um Dia do Ioga, declarado pela ONU.

Evidentemente que, sendo eu um curioso insaciável sobretudo pelas coisas do espírito (mas não só) haveria de cruzar-me, como muitas vezes vem sucedendo ao longo da vida, com a vasta herança espiritual da India.

Existe no hinduismo uma atitude que difere radicalmente de todas as grandes religiões dos últimos milénios: as outras defendem, se preciso for pela conversão forçada, pelo medo, a sua “verdade”, deixando bem claro que somente dentro da sua crença pode existir salvação espiritual. Todos as outras são infiéis e devem ser combatidas e eliminadas.

Já o hinduismo aceita, para além de uma infinidade de deuses e deusas, quaisquer outros que cada um possa ou queira adorar e aceita mesmo a ausência de crença. Propõe, mas não impõe. Aceita a diversidade, que de resto faz parte integrante da sua cultura, num sentido mais vasto (línguas, costumes, músicas, danças, etc).

Essa característica dos povos da India, a busca incessante da espiritualidade, fascinou-me desde cedo e esse fascínio ainda não se extinguiu, apesar de temperada por tudo que de negativo também me foi chegando sobre aqueles povos: a India é também uma gigantesca lixeira e um lugar onde as mulheres não são devidamente consideradas e respeitadas. Disso não gosto, evidentemente.

Os gurus e os “godmen” são figuras marcantes da cultura hindu. Com milhares de seguidores, por vezes milhões, esses homens são extremamente inteligentes. E na mesma medida manipuladores e comerciantes. Pregam o despojamento material, mas rodeiam-se de luxo, conforto e servidores (voluntários). Parecem menorizar a importância do sexo, valorizando a via espiritual, mas são muitas vezes devassos encartados.

Sendo um homem ocidental, vejo a cultura hindu através dos filtros que me foram instalados: um modo de ser europeu, descendente de povos europeus, imbuídos da cultura judaico-cristã. Ainda assim, na balança onde coloco, de um lado o que me agrada, do outro o que me desagrada, o saldo é positivo: gosto da India e dos povos daquelas paragens e da sua cultura, sobretudo pela diversidade, pela tolerância à diferença e também pela tradição de respeito e consideração pela vida animal em geral e a consequente dieta vegetariana generalizada naqueles povos, desde há séculos.

Também me considero um “buscador espiritual” e devo bastante à influência do que li, com raízes na cultura indiana. Não gosto de religiões, mas a busca da espiritualidade parece-me uma característica humana fundamental, que nos define enquanto espécie misteriosa, plantada num mundo animal que desconhece, de todo, esse anseio pelo “mais além”.

O meu Deus não tem nome. Ele está permanentemente perante mim e eu permanentemente perante ele. Existo porque ele existe. Existe porque eu existo.

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