A vida é uma
viagem. Uma viagem variada, de muitas paisagens e pessoas, encontros
e desencontros, sonhos, trabalhos, sucessos e perdas, sofrimentos,
nossos e alheios (e alguns nos tocam).
Uma viagem para o
matadouro.
A qualquer instante,
independentemente da idade ou condição, do pensamento ou
disposição, pode chegar a nossa vez, com ou sem aviso prévio.
Gostaríamos de ser
livres e felizes. Impossível, tanto uma como outra. A nossa
condição de gado a caminho do matadouro (que sabe, embora procure a
todo o custo ignorá-lo), impede, em absoluto, ambas as
possibilidades.
E como poderia um
ser humano ser feliz, sem ser um tremendo egoísta, se todos os
outros seres humanos não pudessem sê-lo também?!
A nossa mente foi
criada com a capacidade de engendrar deuses. Temo-lo feito de forma
bastante criativa, por toda a parte e em todas as épocas. Servem de
orientação, proteção e consolo do espírito, que sabe, mas não
pode aceitar, que somos gado a caminho do matadouro.
Resta-nos apreciar a
magnífica paisagem, de preferência em boa companhia e tentar
aceitar (embora seja impossível), a nossa condição.
Se pudermos amar,
amemos. Se não, aceitemos cada um como é e respeitemos a sua
viagem terrível (como a nossa).
Pelo caminho, na
nossa inconsciência, convidamos outros para viajar (filhos),
recusando ver que estamos condenando mais seres ao final infeliz de
todos.
Isso nos torna
cúmplices involuntários de homicídio.
# posted by Josef Portugal @ 1:44 AM