Thursday, October 02, 2014

 

Ler, escrever, viver.




1. Ler é, com sorte, um exercício de prazer e busca de compreensão. É também muitas vezes, um mergulho na complexidade da vida, vista por outros, que exploraram alguns aspectos da realidade e nos oferecem o resultado das suas reflexões.



Esse mergulho no complexo pode ser muito interessante, mas devemos levar connosco sempre o fio de Ariane, que nos permite regressar ao porto de salvação. O porto de salvação é a simplicidade do contacto direto e imediato com o real.



Se tivermos dificuldade em regressar, basta afagar o nosso cão, passear com ele, observar a incrível beleza da sua relação natural e simples com a realidade. E beber dessa água. A água viva que o real permanentemente faz jorrar sobre todos os seres vivos. E a todos mata a sede,  exceto ao ser humano, que dela teima em se desviar.



2. Escrever também é uma busca de compreensão (de nós mesmos e do mundo a que pertencemos) e um prazer. Um pequeno luxo que a existência nos permite. Escrever é estar a sós sem estar só verdadeiramente. Estão connosco as influências profundas de muitos outros, da vida e dos livros.
 
 
3.  Ler e escrever também são viver. Viver em diferido, podendo parar para refletir, rever. Viver sem os riscos inerentes. Tão bom. 
     Mas a vida de verdade é em direto. Sem rede, sem hipótese de parar, voltar atrás um segundo e mudar o destino (quem dera por vezes poder fazê-lo...). Arriscado, mas tão bom. Pena que acabe.
 


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