Friday, May 16, 2014

 

A festa da democracia



Não gosto de festas. Mas de vez enquando também vou. Encontrar pessoas é uma oportunidade engraçada e descontraída de passear o olhar pela biodiversidade humana.

Como não comungo de sentimentos gerais (sinto-me distante o suficiente para me considerar mais observador que participante) depressa me canso e me apetece ir embora.

Dia de eleições é também uma espécie de dia festivo. De encontros e de convívios que, breves, não chegam a cansar.

Votar, de tempos a tempos, convoca o povo (de que faço parte) para as escolhas políticas. Eu sei que é uma farsa. As escolhas foram feitas por outros e o povo é convidado a votar para que se possa fazer de conta que é ele quem mais ordena.

Mas para o desgraçado povo é um dia de festa, diferente, animado, festivo.
E eu sinto-me um bocadinho feliz por ver o meu povo bem.

Mesmo sabendo que é uma farsa sou capaz de ir votar por solidariedade com o povo, como um gesto de pertença, que reafirma que eu gosto de lhe pertencer, gosto de ser português e amo a língua que é nossa.

Em todo o caso, sabendo que o meu voto é inútil, que seja inútil inteiramente: votarei num pequeno partido qualquer, que não possa tirar proveito algum das eleições (nem sequer chegue aos subsídios por cada voto obtido, que só os maiores recebem do contribuinte).







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