Monday, April 07, 2014

 

Portugal




Talvez Portugal esteja a morrer. O que acrescenta pouco à circunstância de que todos temos de morrer e há que aceitá-lo.

A profunda crise em que Portugal se encontra e a descida gradual e imparável que iniciámos para níveis de pobreza inimagináveis, parecem uma inevitabilidade.

Menos gente a nascer, mais gente a envelhecer (cada vez mais gente a chegar a idades avançadas). Necessidades a crescer a velocidade superior ao aumento da riqueza. Emigração em massa, sobretudo de jovens. Dependência de ajuda financeira externa. Dependência alimentar e de toda a ordem.

Um futuro de pobreza, decadência, degradação das condições de vida, doença e morte, esperam cada português residente, mas também o país como um todo.

Um mundo que fenece é também o anúncio de novos mundos.

Outros modos de vida e outros povos virão ocupar o território outrora Portugal.

Não estarei cá para ver, mas a antecipação disso não me traz qualquer mágoa ou estranheza. Aceito como parte do desenrolar dos processos naturais e históricos.

Não partilho da ilusão de que o meu país, o meu povo, a minha língua materna, são superiores ou melhores que quaisquer outros. Sei que para cada um isso parece uma verdade inquestionável. Não para mim.

Por isso, se em lugar de Portugal e dos portugueses houver outros, isso não será pior nem melhor do que manter-se o meu país e o meu povo. Será apenas diverso.

Em relação à língua a extinção não se coloca, graças à existência de jovens países de expressão portuguesa, em crescimento e cheios de futuro, sobretudo o Brasil, Angola e Moçambique.



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