Friday, January 10, 2014
Preencher o vazio
Na mente humana
existe um vazio que resulta de uma contradição fundamental,
insuperável: a nossa necessidade de compreender
mais e a tudo atribuir sentido;
e a impossibilidade de obter isso.
Esse vazio foi sendo
preenchido por crenças, sobretudo de natureza religiosa ou
mágica. Modernamente, é preenchido sobretudo pela crença nas possibilidades ilimitadas das ciências e tecnologias.
A necessidade de
compreender e dar um sentido pode ser assim saciada, ainda que seja
de forma tão duvidosa como manifestamente ilusória.
Ilusões úteis,
porque a alternativa - viver sem poder atribuir sentido a grande
parte da vida e do mundo em que estamos imersos - seria difícil
de tolerar. Poucos suportam persistir nessa “terra de ninguém”,
onde o absurdo, o acaso, o sem sentido realmente imperam.
Escritores, poetas,
filósofos, por lá passam, mas geralmente recuam e protegem-se com crenças
particulares, da mais diversa natureza.
Tudo desculpável,
desde que, pelo menos de vez enquando, cada um desconfie
seriamente de si mesmo e das suas frágeis crenças e aceite que o
absurdo reina.
E que o verdadeiro sentido da vida é não ter sentido nenhum.
Entretanto, essa necessidade interior de preenchimento e de sentido permitiu o florescimento de inúmeras religiões organizadas. As maiores souberam aliar-se aos poderosos, para benefício mútuo. Os poderosos conseguiam um instrumento coadjuvante do controle social. E as classes religiosas obtinham algum poder e prestígio.
Modernamente, as religiões viram largamente diminuído o seu papel de controle social, substituídas pelos modernos mass media. São estes os poderosos meios de controle social da modernidade.
As religiões subsistem como tradições culturais, repetem rituais, mas pouco pesam nas representações mentais do mundo. A escala moderna de valores, poderosamente materialista (centrada no dinheiro e nas comodidades que permite) deixa pouco lugar à espiritualidade, fonte de alimentação das religiões.
E que o verdadeiro sentido da vida é não ter sentido nenhum.
Entretanto, essa necessidade interior de preenchimento e de sentido permitiu o florescimento de inúmeras religiões organizadas. As maiores souberam aliar-se aos poderosos, para benefício mútuo. Os poderosos conseguiam um instrumento coadjuvante do controle social. E as classes religiosas obtinham algum poder e prestígio.
Modernamente, as religiões viram largamente diminuído o seu papel de controle social, substituídas pelos modernos mass media. São estes os poderosos meios de controle social da modernidade.
As religiões subsistem como tradições culturais, repetem rituais, mas pouco pesam nas representações mentais do mundo. A escala moderna de valores, poderosamente materialista (centrada no dinheiro e nas comodidades que permite) deixa pouco lugar à espiritualidade, fonte de alimentação das religiões.