Friday, September 13, 2013
Vejo o velho casario
Vejo o velho casario
De prédios abandonados:
Velhas portas e janelas,
Fachadas, ferros, telhados.
Tristes, mudos, sem poder
Contar o muito que viram:
Tantas vidas a passar,
Tantas conversas que ouviram.
Parecem estar a lembrar
Os que lá dentro viveram:
Tantos anos a vibrar
E todos desapareceram.
Gritos, choros, discussões,
Crianças em correria,
Amores, ternas paixões,
Tudo abrigaram um dia.
Alguns vislumbram ainda
Obra nova, nova vida.
Gente seria benvinda
A essa nova guarida.
Mas outros, ao ver que passa
Pela rua algum velhote,
Sentem no ar a desgraça,
Que a morte a todos derrote.