Thursday, October 04, 2012
Modernidade
As sociedades humanas sempre se revestiram de alguma complexidade. Mas o progresso científico e tecnológico, para além de gerar novas forças económicas e financeiras, permitiu ainda um salto enorme na complexidade dos habitats humanos.
É preciso agora saber muito mais e continuar a aprender sempre, para sobreviver nas sociedades modernas, altamente complexas.
A beleza das coisas simples da vida fica irremediavelmente submersa por um jorro ininterrupto de informações e entretenimento que assola a mente do homem moderno.
Quem, como eu, ama a simplicidade, sente-se cada vez mais deslocado num mundo assim.
Um mundo que parece tremer sobre as estruturas afinal frágeis em que assenta – o capitalismo global e o modo predatório de relacionamento com a natureza.
Parecemos à beira de grandes transformações, precedidas por crises profundas dos sistemas velhos, seguidas de grandes cataclismos sociais (guerras ou revoluções sangrentas) seguidas de estruturas de suporte de vidas e sociedades novas.
O poder económico e financeiro mundial (o dinheiro), que cresceu enormemente com o progresso científico e tecnológico das últimas décadas, tornou-se o verdadeiro dono do mundo e das vidas, que, ou o servem ou dele são vítimas, por toda a parte.
A política é agora uma humilde criada de servir do todo-poderoso deus dinheiro.
A beleza do ser humano e a sua dignidade intrínseca, pouco ou nada valem num mundo de números e representações abstratas.
Mas, sem o respeito reverencial pela vida e pelos valores verdadeiros (os que não têm equivalente em dinheiro), de que vale todo esse progresso, de que valem a inteligência e a riqueza aparente, se matam as verdadeiras riquezas?