Monday, April 18, 2011

 

Um rei para si

Sendo cada um de nós um ser vivo, da espécie humana, sujeito a uma teia de constrangimentos biológicos, psicológicos e sociais complexa, indecifrável e avassaladora, temos ainda assim, sempre, uma ânsia de liberdade, ou pelo menos da sensação de liberdade. Precisamos da ausência, ainda que ilusória, de constrangimentos.
Por isso, o castigo mais comum dos criminosos é a prisão, a privação da liberdade, física, mas também psicológica, já que a submissão a um pequeno universo com regras e restrições particulares, das quais a ausência de liberdade é apenas a principal, força o espírito do preso a ocupar a mente com muito do que de outra forma ignoraria.
Precisamos quase tanto de liberdade como de oxigénio. Sem este não podemos viver; sem esta não podemos viver condignamente.
Mesmo arriscando a prisão, o espírito amante da liberdade deve permanecer profundamente rebelde, não admitindo que no seu pequeno mundo de que é rei e senhor, seja quem for o diminua abaixo da sua nobre e real condição. Mesmo preso, deve continuar a ser, para si mesmo, rei.
Somente morto será pó e nada, como todos os reis.

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