Friday, April 15, 2011

 

Tal pai, tal filho.

Pai - Não sei porque é que ninguém gosta de mim... Eu sei, é porque eu digo as verdades. E ninguém gosta de as ouvir. Nem tu já gostas de mim como gostavas. Também me condenas.
Eu
Não condeno não. Aprendi há muito a aceitar as pessoas como são. Para mim não têm defeitos. Tudo o que outros lhes podem apontar como defeito, para mim fazem parte e são apenas a sua maneira de ser. Tudo me parece normal e bem. Gosto mais de umas do que doutras, mas não tenho azar a ninguém e nunca ninguém me tratou mal. Talvez porque as pessoas não sentem em mim quaisquer espinhos que as possam aleijar e assim não sentem necessidade de eriçar os seus contra mim.
Ou talvez apenas tenham pena de mim por ser muito míope. Não sei. Sei que saí uma pessoa muito pacífica e compassiva com todos e essa maneira de ser tem sido boa.
Não sei até que ponto é mérito meu, por querer desde muito novo ser assim, ou herança genética generosa dos meus antepassados. Não sei a quem saí assim, mas agradeço a sorte.


Pai:
saíste a mim.
(Pois claro! Saí e ele, que é o oposto, de quem todos fogem para evitar ter de bater num velhote raivoso, que bota abaixo tudo e todos, eriça espinhos sempre e por sistema, pica antes que alguém o pique, talvez por medo de ser picado. Alguém disse que a raiva é um disfarce do medo. A causa da raiva inesgotável do meu pai permanece para mim um mistério).

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