Wednesday, April 13, 2011

 

Questionário

Existem algumas grandes questões que ficarão por entender desta minha breve passagem pela vida:

1.Qual a justificação para a existência e persistência do sofrimento imerecido dos seres sencientes?
2.O que é a fé religiosa e porque consegue mobilizar inúmeras mentes inteligentes de todas as civilizações e de todos os tempos para, entre outras, práticas de extrema intolerância e crueldade, geralmente justificadas apesar de injustificáveis?
3.Porque é que em quase todas as civilizações existe uma acumulação e concentração extrema da riqueza nas mãos de alguns, coexistindo com a pobreza ou miséria da imensa maioria da população?
4.Apesar do progresso assombroso de partes consideráveis da humanidade e da difusão alargada do conhecimento e da mobilidade das pessoas, estas, enquanto pessoas, não evoluíram quase nada ou nada nos últimos milhares de anos. Algum dia haverá um salto qualitativo e o ser humano será diferente, para melhor?
5.Porque é que a sexualidade humana, sendo algo reconhecidamente prazeroso, foi quase sempre ou sempre objeto de forte repressão?

Respostas provisórias, talvez definitivas:

1.Não existe justificação alguma. Ele resulta e é um dos múltiplos efeitos do cruzamento de energias e formas, umas mais simples outras mais complexas, que se cruzam no espaço-tempo, segundo leis parcialmente identificáveis, sem um propósito geral conhecido nem necessidade de qualquer justificação.
2.Uma necessidade humana profunda, ligada ao medo da morte e à busca contínua de compreensão e de significados. Essa necessidade é manipulada por pessoas ou grupos, para obter poder.
3.Porque nalguns a ânsia de poder (mãe de tantas guerras e latrocínios) é saciada pelo acúmulo de riqueza. Já para a maioria das pessoas, mentalmente mais saudável, uma vida comum serve muito bem. Mas como a riqueza tem limitações (e mesmo que a riqueza cresça muito, em virtude do progresso científico e tecnológico, a ânsia dela cresce pelo menos na mesma proporção), a acumulação de alguns é conseguida pelo trabalho escravizante e pela pobreza de muitos mais.
4.Não.
5.Porque esse foi um dos meios privilegiados de controle social dos grupos de pessoas, a par do medo. Sendo o sexo, basicamente, um instinto promíscuo, deixado livre, formaria humanos demasiado apreciadores da liberdade, muito difíceis de manipular pelos chefes políticos e religiosos. A castração simbólica foi sempre a arma mais poderosa utilizada pelas elites para conter e disciplinar as massas, pondo-as ao serviço dos seus interesses. Nos judeus, desde há milhares de anos, a circuncisão marca profundamente a psique através da dor no sexo, preparando-a para toda e qualquer submissão futura (condição facilitadora do holocausto nazi). Nalguns povos, sobretudo em África,  infligir a dor no sexo é restrito às meninas, através da mutilação genital feminina (MGF), que além do trauma psíquico acrescenta a impossibilidade de orgasmo, tornando a submissa realmente castrada, adequada à posição subalterna que o homem lhe reserva na sociedade. Felizmente, na maioria das civilizações a castração é meramente simbólica, conseguida através da forte repressão da sexualidade. Mesmo assim, obtém o seu propósito: gerar submissos.
Como subprodutos gera, entre outros, a prostituição, o fráfico de seres humanos para exploração sexual e a pornografia.

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