Tuesday, March 01, 2011
A liberdade esquecida
O progresso científico e tecnológico acelerado das últimas décadas, acompanhado de um enorme alargamento do acesso ao conhecimento, escolarização e cuidados de saúde, permitiram aumentar grandemente a riqueza mundial produzida, diminuindo pelo menos na mesma proporção a penosidade do trabalho necessário para a produzir.
Esta mudança veloz trouxe inúmeros efeitos algo imprevisíveis. O mais dramático é a criação de enormes excedentes de força de trabalho. As máquinas substituíram o homem, com enormes vantagens e ganhos de produtividade, primeiro nas tarefas que exigiam força e destreza, depois nas tarefas que exigiam intelecto e memória.
O que poderia ser o princípio de uma nova era para a humanidade - a da libertação da escravatura milenar do trabalho, restringindo este às pessoas que o fazem por prazer e vocação, não já por necessidade de sobrevivência, tornou-se um problema crescente sem solução à vista: o que fazer a milhões de pessoas manifestamente excedentárias?
O problema atinge sobretudo os países tecnologicamente mais avançados, mas o desemprego e falta de horizontes é uma mancha gigantesca em muitas zonas do globo.
Depois de milénios de escravatura e sofrimento, a humanidade já quase esqueceu um dos seus desejos mais profundos, soterrado sob a tralha do dia-a-dia, na luta pela sobrevivência, com a mente obstruída por lixo informativo e de recreação que diariamente a entope – o sublime desejo de ser livre.
Em vez disso, clama por trabalho (chama-lhe direito ao trabalho) ou seja, suplica pelo seu lugar no ciclo infernal de trabalho/consumo, onde parece querer a todo o custo desperdiçar o breve tempo da sua existência.
Deveria clamar por vida digna em liberdade, com ou sem trabalho.
As sociedades estão organizadas para servir fins próprios, que pouco beneficiam a enorme maioria da população e muito beneficiam os poucos que sabem como surfar a onda de injustiças, enriquecendo com o sofrimento alheio.
Ora, a meu ver, as sociedades deveriam orientar-se pelo bem de todos, colocando sempre em primeiro lugar, o bem das pessoas concretas atuais, procurando deixar para as pessoas vindouras um mundo pelo menos tão equilibrado e limpo como o que encontraram.
PESSOAS PRIMEIRO implica para o Estado garantir: a paz, o pão, saúde, habitação, educação. A todos, sem exceção, quer trabalhem quer não. Só isso justificaria a existência do Estado e os altíssimos e variados impostos que cobra.
O trabalho, visto de cima, é uma virtude muito apreciada. Visto de baixo é um castigo para a maioria. Deveria ser sempre voluntário. A alegria de o realizar a primeira motivação. O pagamento sempre secundário.
Esta mudança veloz trouxe inúmeros efeitos algo imprevisíveis. O mais dramático é a criação de enormes excedentes de força de trabalho. As máquinas substituíram o homem, com enormes vantagens e ganhos de produtividade, primeiro nas tarefas que exigiam força e destreza, depois nas tarefas que exigiam intelecto e memória.
O que poderia ser o princípio de uma nova era para a humanidade - a da libertação da escravatura milenar do trabalho, restringindo este às pessoas que o fazem por prazer e vocação, não já por necessidade de sobrevivência, tornou-se um problema crescente sem solução à vista: o que fazer a milhões de pessoas manifestamente excedentárias?
O problema atinge sobretudo os países tecnologicamente mais avançados, mas o desemprego e falta de horizontes é uma mancha gigantesca em muitas zonas do globo.
Depois de milénios de escravatura e sofrimento, a humanidade já quase esqueceu um dos seus desejos mais profundos, soterrado sob a tralha do dia-a-dia, na luta pela sobrevivência, com a mente obstruída por lixo informativo e de recreação que diariamente a entope – o sublime desejo de ser livre.
Em vez disso, clama por trabalho (chama-lhe direito ao trabalho) ou seja, suplica pelo seu lugar no ciclo infernal de trabalho/consumo, onde parece querer a todo o custo desperdiçar o breve tempo da sua existência.
Deveria clamar por vida digna em liberdade, com ou sem trabalho.
As sociedades estão organizadas para servir fins próprios, que pouco beneficiam a enorme maioria da população e muito beneficiam os poucos que sabem como surfar a onda de injustiças, enriquecendo com o sofrimento alheio.
Ora, a meu ver, as sociedades deveriam orientar-se pelo bem de todos, colocando sempre em primeiro lugar, o bem das pessoas concretas atuais, procurando deixar para as pessoas vindouras um mundo pelo menos tão equilibrado e limpo como o que encontraram.
PESSOAS PRIMEIRO implica para o Estado garantir: a paz, o pão, saúde, habitação, educação. A todos, sem exceção, quer trabalhem quer não. Só isso justificaria a existência do Estado e os altíssimos e variados impostos que cobra.
O trabalho, visto de cima, é uma virtude muito apreciada. Visto de baixo é um castigo para a maioria. Deveria ser sempre voluntário. A alegria de o realizar a primeira motivação. O pagamento sempre secundário.
Labels: educação, habitação, liberdade, pão, paz, saúde, trabalho