Tuesday, January 04, 2011
Not with my vote
Chegados aqui, portugueses, à beira da falência do Estado,de inúmeras empresas, famílias e indivíduos, avistando já o tsunami avassalador da miséria generalizada, devemos concluir afinal pelo fracasso do modelo de sociedade que temos vindo a construir.
Desde o 25 de Abril tenho colaborado, votando, na eleição dos líderes políticos que têm conduzido a sociedade portuguesa até aqui, à beira do abismo. Por isso sinto-me corresponsável. Sei que a mentalidade dos portugueses foi sendo guiada por elites que ajudaram a este perigoso descalabro social e económico. São elas as responsáveis maiores. Por mim, atingi o grau zero da capacidade de acreditar nas elites, todas, sobretudo as elites políticas. Assim sendo, passarei a agir em conformidade: não voltarei a votar enquanto não voltar a acreditar no futuro de Portugal e nas pessoas certas para o conduzir. Se votar (para não poder ser acusado de preguiça ou desinteresse) votarei em quem não tenha a menor hipótese de ser eleito. Esse, nenhum mal poderá fazer com o voto que lhe dou.
Por enquanto, não tenho esperança alguma que quaisquer candidatos a lugares políticos mereçam confiança. Desacreditei mesmo na democracia.
Esta democracia só elege os piores dentre os que têm vontade de poder (já de si algo perturbadoramente doentio). Toda a escolha de lideranças deveria resultar, sim, da admiração que provem do mérito e da grandeza de alma e coração dos verdadeiramento grandes.
É uma falsa democracia, como apontou Saramago aqui “É verdade que podemos votar, é verdade que podemos, por delegação da partícula de soberania que se nos reconhece como cidadãos eleitores e normalmente por via partidária,escolher os nossos representantes no parlamento, é verdade, enfim, que da relevância numérica de tais
representações e das combinações políticas que a necessidade de uma maioria vier a impor sempre resultará um governo. Tudo isto é verdade, mas é igualmente verdade que a possibilidade de acção democrática começa e acaba aí. O eleitor poderá tirar do poder um governo que não lhe agrade e pôr outro no seu lugar, mas o seu voto não teve, não tem, nem nunca terá qualquer efeito visível sobre a única e real força que governa o mundo, e portanto o seu país e a sua pessoa: refiro-me, obviamente, ao
poder económico, em particular à parte dele, sempre em aumento, gerida pelas empresas multinacionais de acordo com estratégias de domínio que nada têm que ver com aquele bem comum a que, por definição, a democracia aspira.”
José Saramago, Este mundo da injustiça globalizada. Comunicação ao Forum Social Mundial 2002
Continuo orgulhosamente lusitano (rebelde e independente,de espírito, pelo menos, mas flexível a tudo o que vier de bom, seja lá de onde ou de quem) mas deploro o portuguesismo (bacoco, provinciano, invejoso, pequeno, pequeno, pequeno).
Desde o 25 de Abril tenho colaborado, votando, na eleição dos líderes políticos que têm conduzido a sociedade portuguesa até aqui, à beira do abismo. Por isso sinto-me corresponsável. Sei que a mentalidade dos portugueses foi sendo guiada por elites que ajudaram a este perigoso descalabro social e económico. São elas as responsáveis maiores. Por mim, atingi o grau zero da capacidade de acreditar nas elites, todas, sobretudo as elites políticas. Assim sendo, passarei a agir em conformidade: não voltarei a votar enquanto não voltar a acreditar no futuro de Portugal e nas pessoas certas para o conduzir. Se votar (para não poder ser acusado de preguiça ou desinteresse) votarei em quem não tenha a menor hipótese de ser eleito. Esse, nenhum mal poderá fazer com o voto que lhe dou.
Por enquanto, não tenho esperança alguma que quaisquer candidatos a lugares políticos mereçam confiança. Desacreditei mesmo na democracia.
Esta democracia só elege os piores dentre os que têm vontade de poder (já de si algo perturbadoramente doentio). Toda a escolha de lideranças deveria resultar, sim, da admiração que provem do mérito e da grandeza de alma e coração dos verdadeiramento grandes.
É uma falsa democracia, como apontou Saramago aqui “É verdade que podemos votar, é verdade que podemos, por delegação da partícula de soberania que se nos reconhece como cidadãos eleitores e normalmente por via partidária,escolher os nossos representantes no parlamento, é verdade, enfim, que da relevância numérica de tais
representações e das combinações políticas que a necessidade de uma maioria vier a impor sempre resultará um governo. Tudo isto é verdade, mas é igualmente verdade que a possibilidade de acção democrática começa e acaba aí. O eleitor poderá tirar do poder um governo que não lhe agrade e pôr outro no seu lugar, mas o seu voto não teve, não tem, nem nunca terá qualquer efeito visível sobre a única e real força que governa o mundo, e portanto o seu país e a sua pessoa: refiro-me, obviamente, ao
poder económico, em particular à parte dele, sempre em aumento, gerida pelas empresas multinacionais de acordo com estratégias de domínio que nada têm que ver com aquele bem comum a que, por definição, a democracia aspira.”
José Saramago, Este mundo da injustiça globalizada. Comunicação ao Forum Social Mundial 2002
Continuo orgulhosamente lusitano (rebelde e independente,de espírito, pelo menos, mas flexível a tudo o que vier de bom, seja lá de onde ou de quem) mas deploro o portuguesismo (bacoco, provinciano, invejoso, pequeno, pequeno, pequeno).
Labels: democracia, políticos, voto