Friday, November 19, 2010
Autoridade
Sempre tive uma desconfiança visceral por todas as formas de poder. Pessoal e institucional. Por temer o meu pai mais do que a conta, sobretudo na infância, ou por ser também essa a minha natureza, a verdade é que autoridade, poder, força e violência (física ou psicológica) ficaram para sempre associadas, misturadas quase como sinónimos.
Cresci intrigado pelos fenómenos do poder, nas suas variadíssimas formas. Talvez essa tenha sido uma das razões inconscientes da minha opção por estudar Direito: ajudar-me a conhecer melhor o “inimigo”.
Nesta fase da vida já aprendi a respeitar e a prezar a ordem (alguma ordem, sem podar demais a espontaneidade e a surpreendente fecundidade do acaso). E prezo bastante a autoridade que acompanha o saber e as elevadas qualidades humanas e éticas.
Mas continuo desconfiado de todas as formas de exercício da autoridade-poder, como sempre fui.
Toda a autoridade vem do exterior, impõe-se e logo fere ou pelo menos manipula. Logo, toda a autoridade que não seja livre e interiormente aceite é ilegítima. Impõe-se por ter força, não necessariamente razão e sobretudo sem legitimidade.
Reconheço-me visceralmente anarquista (rejeito a autoridade-poder, não a ordem. Prezo a ordem natural, por sistema altamente perturbada e desvirtuada pela ordem imposta pela autoridade-poder, conhecida como sociedade, o não-ser que domina os seres com mil tentáculos, visíveis e invisíveis).
Labels: autoridade, poder, saber, ser