Saturday, September 18, 2010

 

Presente e Eternidade



Em cada dia, melhor, em cada instante, o real tem uma extraordinária consistência. Podemos manipular elementos seus, integramo-los até em nós (oxigénio, água, alimentos...). Interagimos com outros, próximos e até distantes.
Mas no instante seguinte, esse real, tão consistente, já não existe. Foi substituído por outro real, semelhante mas diferente já.
É uma sucessão de momentos tão consistentes, de que não duvidamos que são reais, mas logo se esfumam para sempre no que chamamos passado.
A longa cadeia de momentos que enfileiramos através dos anos e das idades que vamos vivendo formam um percurso que é a nossa vida, a nossa história. Foi real um dia de cada vez e fez-se nada ou quase nada, logo em seguida. Persistem marcas de memória, distorcidas pelo próprio passar do tempo e pela reconstituição parcelar, contaminada por elementos estranhos e emoções vividas (elementos interiores).
Incerto dia, longe ou mais perto, um momento não terá sequência para cada um de nós. Será o fim do nosso mundo, definitivamente remetido para o passado, afastando-se cada vez mais da luz dos dias que hão existir para outros.

Mas, se a eternidade tem de ser o-tempo-todo, então em cada segmento dele, o que aí existiu alguma vez, pertence definitivamente à eternidade.
Existir, ainda que por um segmento breve de tempo, é passar a estar inscrito na eternidade para sempre.
Os que amámos amámo-los para sempre. Os que nos amaram amaram-nos para sempre. Foram essas as marcas indeléveis que alguma vez foram gravadas na eternidade e lá ficaram (ficarão) para sempre.
E só o amor verdadeiramente importa. O resto é paisagem e circunstância. Ruído e distração. Acertos e erros insconscientes e irrelevantes.

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