Tuesday, May 11, 2010
Elites, guerreiros e povo
Todos os povos, de acordo com os seus mitos e os pensamentos e modelos de vida dominantes no seu tempo, precisaram reproduzir elites, guerreiros e povo que garantam a sua continuidade como grupo humano.
Temporariamente bem sucedidos, são mais cedo ou mais tarde absorvidos e incorporados noutros grupos humanos mais poderosos. Ou separam-se de grupos maiores, forjando, por oposição, novas identidades e modos de vida, organização e ideologia (língua e cultura).
Desde sempre, em todos os grupos humanos o medo, nas suas muitas graduações, desde o mero temor reverencial ao puro terror, foi o mecanismo de longe mais utilizado na domesticação das mentes, tanto pelas elites políticas como religiosas (frequentemente detidas pelos mesmos).
A Igreja Católica baseou, teoricamente, a sua doutrina, não no medo, mas no amor. Acontece que o amor, diferentemente do medo, não é manipulável, é bastante rebelde. Ama e faz as suas escolhas independentemente das vontades e das conveniências; começa e acaba, caprichosamente, onde e quando bem entende.
Por isso cedo se revelou insuficiente como instrumento de manipulação das mentes. E a Igreja foi reintroduzindo o medo, velho e indispensável meio de manipulação das consciências. Acenou com o diabo e o inferno. Mostrou as garras nas lutas de justificação religiosa (guerras santas) e exibiu o seu total cinismo na actuação apavorante da Santa Inquisição.
Vivemos num tempo em que o recurso ao medo é mais difuso – mas não menos eficaz. É o medo, em doses hemeopáticas, instilado no cidadão comum, sem excepção, pela comunicação social. O medo das doenças, o medo da criminalidade, da desordem violenta, dos fenómenos naturais extremos, da pobreza, exclusão e inimportância social. Sobretudo o medo que resulta da incerteza sobre o futuro próprio e dos filhos, que num mundo em permanente mudança, deixou as gerações actuais sem capacidade de previsão e planeamento credível do amanhã. Um medo convenientemente diluído em programas de entretenimento e banalidades.
O outro mecanismo foi a premiação. Premiar com fama, riqueza, ascensão social, respeito pelos maiores, etc. foi sempre bastante eficaz e motivador para a generalidade dos indivíduos, cumprindo-se assim, paralelamente, as aspirações pessoais e o interesse geral de domesticação dos indivíduos em prol do bem colectivo. A premiação foi outra constante. Os guerreiros mais fortes, corajosos, audazes e sortudos eram adorados pelas multidões como heróis. Modernamente, são os ídolos do desporto, do espectáculo, etc. a cumprir esse papel exemplarmente. São premiados com muito dinheiro, o símbolo máximo actual da premiação.
Bem como os lideres da política e da economia, áreas que andam de braço dado, tão apertado que os influentes transitam entre ambas com a facilidade de um passo de dança.
O medo e a premiação modelam as elites, os guerreiros e o povo, em cada território e época, organizando o presente, homenageando o passado mitificado e preparando o futuro. É preciso formatar continuamente elites esclarecidas, guerreiros, ainda que rituais (desportos) e cidadãos úteis e dóceis. Antes, através das instituições políticas e religiosas. Hoje, através das instituições políticas e da comunicação social.
Temporariamente bem sucedidos, são mais cedo ou mais tarde absorvidos e incorporados noutros grupos humanos mais poderosos. Ou separam-se de grupos maiores, forjando, por oposição, novas identidades e modos de vida, organização e ideologia (língua e cultura).
Desde sempre, em todos os grupos humanos o medo, nas suas muitas graduações, desde o mero temor reverencial ao puro terror, foi o mecanismo de longe mais utilizado na domesticação das mentes, tanto pelas elites políticas como religiosas (frequentemente detidas pelos mesmos).
A Igreja Católica baseou, teoricamente, a sua doutrina, não no medo, mas no amor. Acontece que o amor, diferentemente do medo, não é manipulável, é bastante rebelde. Ama e faz as suas escolhas independentemente das vontades e das conveniências; começa e acaba, caprichosamente, onde e quando bem entende.
Por isso cedo se revelou insuficiente como instrumento de manipulação das mentes. E a Igreja foi reintroduzindo o medo, velho e indispensável meio de manipulação das consciências. Acenou com o diabo e o inferno. Mostrou as garras nas lutas de justificação religiosa (guerras santas) e exibiu o seu total cinismo na actuação apavorante da Santa Inquisição.
Vivemos num tempo em que o recurso ao medo é mais difuso – mas não menos eficaz. É o medo, em doses hemeopáticas, instilado no cidadão comum, sem excepção, pela comunicação social. O medo das doenças, o medo da criminalidade, da desordem violenta, dos fenómenos naturais extremos, da pobreza, exclusão e inimportância social. Sobretudo o medo que resulta da incerteza sobre o futuro próprio e dos filhos, que num mundo em permanente mudança, deixou as gerações actuais sem capacidade de previsão e planeamento credível do amanhã. Um medo convenientemente diluído em programas de entretenimento e banalidades.
O outro mecanismo foi a premiação. Premiar com fama, riqueza, ascensão social, respeito pelos maiores, etc. foi sempre bastante eficaz e motivador para a generalidade dos indivíduos, cumprindo-se assim, paralelamente, as aspirações pessoais e o interesse geral de domesticação dos indivíduos em prol do bem colectivo. A premiação foi outra constante. Os guerreiros mais fortes, corajosos, audazes e sortudos eram adorados pelas multidões como heróis. Modernamente, são os ídolos do desporto, do espectáculo, etc. a cumprir esse papel exemplarmente. São premiados com muito dinheiro, o símbolo máximo actual da premiação.
Bem como os lideres da política e da economia, áreas que andam de braço dado, tão apertado que os influentes transitam entre ambas com a facilidade de um passo de dança.
O medo e a premiação modelam as elites, os guerreiros e o povo, em cada território e época, organizando o presente, homenageando o passado mitificado e preparando o futuro. É preciso formatar continuamente elites esclarecidas, guerreiros, ainda que rituais (desportos) e cidadãos úteis e dóceis. Antes, através das instituições políticas e religiosas. Hoje, através das instituições políticas e da comunicação social.
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