Thursday, March 11, 2010

 

A queda

O Estado Português desceu um patamar na credibilidade que deveria ter perante os portugueses.
Altera de 4.5 para 6 por cento o desconto por cada ano de antecipação das aposentações na função pública e antecipa de 2015 para 2012 ou 2013 a idade de reforma da função pública para os 65 anos.
O Governo actual, que sucede ao Governo substancialmente igual que o antecedeu (mesmo primeiro ministro e mesmo ministro das finanças) e que estabelecera regras claras de calendarização dessas medidas, altera agora essas regras, frustrando de forma grave as expectativas de milhares de funcionários públicos.
Já não se trata de quebrar promessas políticas – o patamar de credibilidade relativa em que estávamos antes e onde nos habituámos a ver sem grande sobressalto muitas promessas por cumprir.
Agora trata-se de quebrar compromissos legalmente assumidos. Isto é novo e puxou o Estado para um nível de credibilidade muito baixo.
Quem ousará ter o optimismo de confiar nos compromissos que o Estado assume perante os cidadãos quando ele já mostrou não ter palavra?!
Vivemos sob o império do dinheiro. Tudo parece poder comprar-se e vender-se (mesmo que seja com dinheiro emprestado).
Mas considero gravíssimo não ter palavra e não ter vergonha disso. Ser pobre (não ter dinheiro ou dever dinheiro) não deveria ser motivo de vergonha.
Mas não ter palavra sim. O Estado Português perdeu a vergonha. Sinto vergonha por ele.

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