Wednesday, March 24, 2010
A longa noite
É longa e terrível a história da brutalidade humana sobre o seu semelhante, desde as inúmeras guerras, às matanças de inocentes, as incríveis formas de tortura aplicadas em todos os tempos, por toda a parte, os rituais sangrentos e dolorosos a pretexto de agradar a deuses ou a outro pretexto qualquer, as mutilações rituais de milhões de desgraçados, a redução à escravidão de milhões de seres, a prisão arbitrária de muitos outros, as deportações, perseguições, etc.
Se muito da história humana pode ser motivo de orgulho, todo aquele infinito rol de sofrimento é sem dúvida motivo para enorme vergonha.
Nenhum ser conhecido pode rivalizar com o bicho-homem, nem de perto, em crueldade para com o seu semelhante.
Uma tal exuberância do mal desabrochou neste local remoto do universo, a partir do seu produto mais sofisticado – a mente humana.
Há algo que não bate certo nesta criatura. É verdade que a natureza já mostrara a sua propensão para a violência e o desprezo pelo sofrimento de vítimas inocentes, no restante reino animal. Mas no ser humano refinou esse aparente sadismo. Todas as formas possíveis de infligir sofrimento foram testadas repetidamente ao longo dos milénios. Porquê? Para quê?
Ninguém sabe. Muito menos eu, propenso mais a questionar do que a responder. Sairei de cena ignorante como vim ao mundo sobre questões fundamentais, a maior das quais é a de compreender a justificação do sofrimento imerecido.
Por isso não me parece nada de especialmente assustador ou trágico o eventual fim do mundo (o fim da humanidade, querem dizer) tantas vezes apregoado.
Primeiro porque o fim de cada homem é certo e anda sempre perto. Depois porque o fim da humanidade significaria simultaneamente o fim do mal. Pelo menos neste cantinho do universo, onde um dia brotou.
Se muito da história humana pode ser motivo de orgulho, todo aquele infinito rol de sofrimento é sem dúvida motivo para enorme vergonha.
Nenhum ser conhecido pode rivalizar com o bicho-homem, nem de perto, em crueldade para com o seu semelhante.
Uma tal exuberância do mal desabrochou neste local remoto do universo, a partir do seu produto mais sofisticado – a mente humana.
Há algo que não bate certo nesta criatura. É verdade que a natureza já mostrara a sua propensão para a violência e o desprezo pelo sofrimento de vítimas inocentes, no restante reino animal. Mas no ser humano refinou esse aparente sadismo. Todas as formas possíveis de infligir sofrimento foram testadas repetidamente ao longo dos milénios. Porquê? Para quê?
Ninguém sabe. Muito menos eu, propenso mais a questionar do que a responder. Sairei de cena ignorante como vim ao mundo sobre questões fundamentais, a maior das quais é a de compreender a justificação do sofrimento imerecido.
Por isso não me parece nada de especialmente assustador ou trágico o eventual fim do mundo (o fim da humanidade, querem dizer) tantas vezes apregoado.
Primeiro porque o fim de cada homem é certo e anda sempre perto. Depois porque o fim da humanidade significaria simultaneamente o fim do mal. Pelo menos neste cantinho do universo, onde um dia brotou.
Labels: humano, longa, noite, sofrimento