Friday, March 20, 2009
Não entendo. Mas gostava de entender...
Porque é que, tendo vindo o trabalho humano a ser velozmente substituído pelo trabalho feito por máquinas, primeiro o trabalho físico depois o intelectual, as pessoas fixam como um objectivo número um das suas pobres vidas ter um emprego, para poder consumir, consumir até morrer?
Trabalhar, ou seja, continuar escravo para sempre. Criar penosamente filhos para serem os escravos de amanhã. Para quê? Para que os ricos fiquem cada vez mais ricos? As gigantescas organizações, começando nos Estados, passando pelas multinacionais, as grandes empresas, etc, cresçam, distribuindo benesses e lucros de milhões enquanto o povo simples passa mal?!
Não tenho nada contra a existência de ricos, muito pelo contrário. O que me choca é a
persistência da pobreza, a par do enorme progresso.
Produz-se hoje muitíssimo mais riqueza com muito menos esforço humano. Essa maravilha (o progresso científico e tecnológico) deveria permitir um novo mundo, novas formas de organização das sociedades, em que o trabalho pudesse voltar a ser visto como ele é: escravidão secular de que devemos libertar-nos.
Trabalhar é anti-natural, excepto se for feito por prazer, caso em que já não será trabalho mas lazer.
Perante a realidade próxima de que 80 por cento da população (dos países desenvolvidos) será excedentária, de que os empregos serão para os restantes 20 por cento, mesmo assim, os sábios vão defendendo que quem os tem devem permanecer neles até aos sessenta e cinco ou setenta anos (brevemente defenderão a reforma aos cem?...), continuando a ocupar, contrariados quase sempre, empregos onde as novas gerações não podem por isso entrar. Nem constituir família com alguma segurança, nem ter filhos acreditando num bom futuro para eles. Lá se vai a taxa de natalidade...
E dizem que os sistemas de segurança social não vão aguentar a inversão da pirâmide etc. e a sobrecarga crescente dos custos de pensões e de saúde. Acredito em absoluto que são TRETAS. Só seria verdade se os Estados não cumprissem a sua obrigação número um de Estados civilizados – garantir a todos uma vida digna de ser vivida. Depois, só depois, as grandes obras, os salários avultados, as regalias obscenas de alguns, as reformas douradas de outros, etc...
O Estados dizem sempre que não há dinheiro para aumentar as pensões miseráveis em mais do que meia bica por dia, mas desperdiçam incontáveis milhões em obras faraónicas, de mais que duvidosa utilidade. E não sabem nem querem saber de como emagrecer o seu próprio custo colossal de funcionamento.
Acredito que seria viável uma sociedade livre da escravatura moderna do trabalho estúpido. Uma sociedade cujos objectivos fossem bem claros: dar a todos os cidadãos uma vida digna. Esta deveria ser a prioridade número um de um Estado moderno e civilizado. Funções do Estado: a paz, o pão, saúde, habitação, educação (como na canção do Sérgio Godinho). Mas para todos.
Acredito que as pessoas, se devidamente encaminhadas e respeitadas, tem um enorme potencial criativo e de trabalho voluntário. Para tarefas e funções que para elas façam sentido e cujos resultados lhe deem alegria e sentido de realização.
Por isso, ao lado do mercado de trabalho, o Estado deveria criar um mercado social de trabalho, onde todos os que quisessem trabalhar teriam lugar, nas mais diversas funções e actividades, necessárias ao favorecimento da vida e elevação dos seus padrões de qualidade.
Mas todos os que não quisessem ou não pudessem trabalhar deveriam ter um rendimento social de inserção decente.
A par daqueles dois mercados, o Estado deveria incentivar e apoiar todas as organizações civis com fins não lucrativos, estimulando os cidadãos a nelas colaborarem de forma voluntária e gratuita.
O desemprego simplesmente não existiria. Todo o que quisesse trabalhar, trabalharia (nalgum daqueles três mercados – de trabalho, social, voluntário). Todo o que não quisesse ou não pudesse fazê-lo não o faria. Aceitaria baixar os seus padrões de consumo,mas teria sempre garantido o mínimo para uma vida digna. E poderia dedicar-se ao desporto, à criação literária, ao enriquecimento cultural, à criação artística, ao convívio com pessoas de interesses e gostos semelhantes, etc.
Tudo isto são obviamente fantasias minhas. Não entendo muito de política, embora saiba que tenho que sofrer as consequência das más políticas.
Por enquanto, assisto às tentativas de remediação do velho mundo, que entrou em convulsão e ameaça colapsar.
Trabalhar, ou seja, continuar escravo para sempre. Criar penosamente filhos para serem os escravos de amanhã. Para quê? Para que os ricos fiquem cada vez mais ricos? As gigantescas organizações, começando nos Estados, passando pelas multinacionais, as grandes empresas, etc, cresçam, distribuindo benesses e lucros de milhões enquanto o povo simples passa mal?!
Não tenho nada contra a existência de ricos, muito pelo contrário. O que me choca é a
persistência da pobreza, a par do enorme progresso.
Produz-se hoje muitíssimo mais riqueza com muito menos esforço humano. Essa maravilha (o progresso científico e tecnológico) deveria permitir um novo mundo, novas formas de organização das sociedades, em que o trabalho pudesse voltar a ser visto como ele é: escravidão secular de que devemos libertar-nos.
Trabalhar é anti-natural, excepto se for feito por prazer, caso em que já não será trabalho mas lazer.
Perante a realidade próxima de que 80 por cento da população (dos países desenvolvidos) será excedentária, de que os empregos serão para os restantes 20 por cento, mesmo assim, os sábios vão defendendo que quem os tem devem permanecer neles até aos sessenta e cinco ou setenta anos (brevemente defenderão a reforma aos cem?...), continuando a ocupar, contrariados quase sempre, empregos onde as novas gerações não podem por isso entrar. Nem constituir família com alguma segurança, nem ter filhos acreditando num bom futuro para eles. Lá se vai a taxa de natalidade...
E dizem que os sistemas de segurança social não vão aguentar a inversão da pirâmide etc. e a sobrecarga crescente dos custos de pensões e de saúde. Acredito em absoluto que são TRETAS. Só seria verdade se os Estados não cumprissem a sua obrigação número um de Estados civilizados – garantir a todos uma vida digna de ser vivida. Depois, só depois, as grandes obras, os salários avultados, as regalias obscenas de alguns, as reformas douradas de outros, etc...
O Estados dizem sempre que não há dinheiro para aumentar as pensões miseráveis em mais do que meia bica por dia, mas desperdiçam incontáveis milhões em obras faraónicas, de mais que duvidosa utilidade. E não sabem nem querem saber de como emagrecer o seu próprio custo colossal de funcionamento.
Acredito que seria viável uma sociedade livre da escravatura moderna do trabalho estúpido. Uma sociedade cujos objectivos fossem bem claros: dar a todos os cidadãos uma vida digna. Esta deveria ser a prioridade número um de um Estado moderno e civilizado. Funções do Estado: a paz, o pão, saúde, habitação, educação (como na canção do Sérgio Godinho). Mas para todos.
Acredito que as pessoas, se devidamente encaminhadas e respeitadas, tem um enorme potencial criativo e de trabalho voluntário. Para tarefas e funções que para elas façam sentido e cujos resultados lhe deem alegria e sentido de realização.
Por isso, ao lado do mercado de trabalho, o Estado deveria criar um mercado social de trabalho, onde todos os que quisessem trabalhar teriam lugar, nas mais diversas funções e actividades, necessárias ao favorecimento da vida e elevação dos seus padrões de qualidade.
Mas todos os que não quisessem ou não pudessem trabalhar deveriam ter um rendimento social de inserção decente.
A par daqueles dois mercados, o Estado deveria incentivar e apoiar todas as organizações civis com fins não lucrativos, estimulando os cidadãos a nelas colaborarem de forma voluntária e gratuita.
O desemprego simplesmente não existiria. Todo o que quisesse trabalhar, trabalharia (nalgum daqueles três mercados – de trabalho, social, voluntário). Todo o que não quisesse ou não pudesse fazê-lo não o faria. Aceitaria baixar os seus padrões de consumo,mas teria sempre garantido o mínimo para uma vida digna. E poderia dedicar-se ao desporto, à criação literária, ao enriquecimento cultural, à criação artística, ao convívio com pessoas de interesses e gostos semelhantes, etc.
Tudo isto são obviamente fantasias minhas. Não entendo muito de política, embora saiba que tenho que sofrer as consequência das más políticas.
Por enquanto, assisto às tentativas de remediação do velho mundo, que entrou em convulsão e ameaça colapsar.