Friday, March 06, 2009
A crise - consumir ou poupar?
Nunca fui bom em números e o dinheiro não se dá bem comigo nem eu com ele. Estamos quites.
Ora, vivemos o tempo da crise do dinheiro e da economia em que os que não sabem (como eu) estão agora acompanhados pelos especialistas, que também confessam que nada sabem (de como endireitar o edifício).
Crise em que o mundo mergulhou, iniciada com a destruição das torres gémeas de Nova Iorque, seguida de guerras estúpidas e finalmente da derrocada surpreendente e escandalosa do sistema capitalista, a partir do seu centro, a Wall Street.
Eis os aspectos que mais perturbam a minha santa ignorância da economia, neste tempo de crise:
Os Estados, que durante anos sempre afirmaram que não havia cabimento orçamental para socorrer os pobres, os famintos, os doentes, os frágeis e indefesos, os atingidos pela infelicidade ou pela tragédia, de repente, começaram a vomitar milhares de milhões para tentar salvar da falência instituições financeiras que vinham sendo minadas e roubadas em escala gigantesca, por gestores corruptos, desde há anos, nas suas próprias barbas.
Ao mesmo tempo, porque também geriram mal as suas vidas, muitas grandes empresas entraram em graves dificuldades, em muitos sectores e reclamam colossais ajudas estatais para evitar a falência. E em todos os sectores da economia e da vida pública, todos se agarram às calças do senhor Estado, pedindo ajuda. Ora, o tal que já andava de bolsos mal nutridos e a apertar o cinto, de repente tem toda a gente aflita a pedir mais apoio, mais dinheiro, menos impostos, mais benefícios, para se aguentar. De duas uma, ou os Estados mentiam muito quando viravam as costas aos infelizes, ou, se querem multiplicar as ajudas a torto e a direito, correm eles próprios o risco de se afundar na bancarrota.
Dizem os economistas e os políticos, que não souberam prever nada disto, coitados, que é preciso poupar (ouve bem, ó ZÉ!) e aprender a viver com menos, em suma dentro das nossas reais possibilidades. Ao mesmo tempo, dizem que tem que se injectar dinheiro (em ajudas ou em crédito) aos grandes, para que não caiam, para que continuem a produzir e não se percam os benditos empregos. Tudo bem, mas a produzir para quem, se aos consumidores se pede que não consumam tanto, ou seja que poupem (aliás, por força da necessidade, são mesmo forçados não a poupar, mas a passar mal, em todo o caso, a reduzir o consumo)?
Assim, estão bem à vista as contradições das quais um sistema se alimentou: o sobre-consumo e a sobre-exploração dos recursos do planeta, o sobre-endividamento de todos, e a especulação financeira em larga escala que descambou em alta-vigarice. Em suma um estilo de vida insustentável, que a crise veio desmascarar.
E que dizer das empresas que, apesar do contexto de crise, apresentam lucros colossais? EDP, Galp, etc . Como é possível que não morram de vergonha os que de tal se orgulham, sendo certo que tais lucros se devem ao esbulho de milhões de pessoas (a minha conta da luz, em poucos anos duplicou, mantendo eu o mesmo padrão de consumo. Why?).
E segundo anunciaram os media, a dívida externa portuguesa cresceu de forma assustadora, atingindo uns 150 mil milhões de euros, uma coisa monstruosa. E o Estado, que também gasta desde há muito mais do que pode e vem dando o mau exemplo que todos alegremente seguiram (empresas e famílias), apresenta como estratégia para o futuro mais despesa, logo mais endividamento, nas tais ajudas aos desgraçadinhos dos ricos e na construção de infra-estruturas caríssimas – novo aeroporto, TGV e mais auto-estradas. Ora, toma!
Obviamente, tal como Cristo, que não sabia nada de finanças, também não percebo nada de economia, muito menos de finanças. (Salvem-se ao menos as criancinhas, que são o melhor do mundo, disse também o poeta. Quando crescerem, porém, como irão encontrar isto?!)
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