Tuesday, March 06, 2007
O Real, o Virtual e o Divino
1. A infinita complexidade das coisas tem vindo a ser descoberta e em parte entendida e manipulada pela inteligência humana, com o auxílio de instrumentação que amplifica o alcance dos sentidos, a memória e a capacidade de organização humanas.
2. Este velho processo – de aquisição de conhecimentos e de manipulação do real – acelerou-se extraordinariamente nos últimos dois séculos. Na actual, era da informática, em que o conhecimento pode ser armazenado, manipulado e relacionado, todas as áreas do conhecimento humano iniciaram um gigantesco salto em frente que não se sabe onde conduzirá, mas certamente a sociedades tecnologicamente muito evoluídas.
3. O real convive então e dança de forma extremamente criativa com representações do real – o Virtual - gerando novos e mais evoluídos arranjos da realidade.
4. As Telecomunicações e a Internet amplificam o acesso e a troca de conhecimentos, as trocas comerciais e influenciam até o comércio amoroso.
5. Perante tal complexidade crescente, de descoberta em descoberta, poderá um dia descascar-se o real até ao seu cerne? Compreender o universo, como surgiu (se surgiu), como evolui e para onde. A natureza íntima da matéria/energia de que é feito, o decurso do tempo? O surgimento da vida e da inteligência abstracta e a sua disseminação pelo universo?.
Talvez, ou então quem sabe, de complexidade em complexidade, apenas mergulharemos um pouco mais na infinita complexidade do real, sem poder abarcar cognitivamente o todo.
6. Encontrar-se-á vida ou até inteligência abstracta noutros lugares desse imenso universo de que o nosso planeta é minúsculo grão de pó?
Talvez, mas se sim, isso virá acrescentar novas complexidades a descobrir e a entender e com que lidar.
7. E Deus – onde estará? Um dia alguém olhará da janela de uma nave espacial saída do nosso planeta e verá o rosto de Deus? Certamente que não.
8.Porque Deus está em toda a parte, é tudo o que existe, incluindo o tempo, o espaço e a energia (a inteligência é uma forma refinada de energia).
9. A Igreja Católica fala de um Deus trino: Pai, Filho e Espírito Santo. É uma poderosa imagem. (A meu ver) Pai, representa o Espaço, o real não manifesto, ilimitado e intemporal; Filho representa o real manifesto, inscrito no tempo, em perpétuo movimento; Espírito Santo representa a Energia que flui e reflui entre ambos. Deus assim vive e assim se ama eternamente a si mesmo.
10. Deus trino e indivisível. Tão divino é o espaço sem tempo (Pai), do qual emerge o espaço com tempo (Filho), como a poderosa energia que entre ambos flui (Espírito Santo). Desda as longínquas galáxias ao menor dos átomos. Tudo o compõe, existindo à sua maneira, permitido pela vasta dimensão incognoscível do seu ser.
11. Sendo nós um parte desse real, participamos do divino, nada se podendo aliás passar fora dele, porque tudo inclui.
12. Somos um pouco de Pai, de espaço não manifesto. Um pouco de Filho, um corpo e mente concretas, viajando brevemente no espaço/tempo, enquanto ser perecível. E Espírito Santo, a fracção de energia divina que em nós perpassa e flui, do universo para o universo, de Deus-em-tudo para Deus-em-nós e de novo para Deus-em-tudo.
13. Se dermos espaço interior ao Espírito Santo (mantivermos aberto o nosso centro interior, onde somos apenas uma presença vestida por fora com corpo e mente), para por nós fluir livremente, algo de muito nosso nele viajará de volta ao Deus-em-tudo e nele ingressará para sempre. Deus amar-se-á mais e melhor através de cada um de nós, se a tanto nos dispusermos.
O que acabo de escrever são apenas hipóteses – mesmo que tenham algo de verdadeiro, jamais eu ou alguém o poderá certificar. Mas se eu me aproximar um pouco, o meu Deus há-de gostar. Eu gosto.