Thursday, May 22, 2025

 

A Europa sob ameaça interna

A Europa está sob ameaça interna:o regresso do autoritarismo. O princípio democrático e o princípio autoritário têm governado os povos e os países, ao longo da História. Depois da II Guerra Mundial, o princípio democrático impôs-se gradualmente da Europa, em particular nos países da União Europeia, seguindo os modelos anglo-americanos. Nos anos mais recentes, o princípio autoritário tem vindo a emergir e a ganhar terreno (e eleições!) na Europa (agora também nos Estados Unidos, de modo radical, com Trump). Sendo certo que a maioria dos países do Mundo continuam a ser governados por regimes autocráticos, a emergência do princípio autoritário na Europa é particularmente perigosa. Não só porque pertencemos a este bloco, mas porque este farol de civilização arrisca deixar de o ser, abrindo caminho a novas barbáries. Portugal, tem vindo a ser surpreendido com a ascensão do CHEGA, que aqui representa o princípio autoritário. É uma ameaça real à democracia portuguesa de meio século. Por enquanto é um contra-poder, mas o risco de vir a ser poder, deixa antever um retrocesso civilizacional que os portugueses certamente não desejam, mas cujas consequêbnais terão de suportar. As escolhas têm consequências, por vexes desastrosas, mas inevitáveis, quando as escolhas são más.

Tuesday, March 25, 2025

 

Ainda estou aqui.

Pois é. Passou quase uma ano. A recuperação do enfarte foi rápida e tenho estado bem. Menos mal. Por isso, não só ainda estou aqui, como estou satisfeito por estar. A vida pode tratar-nos muito bem e pode tratar-nos muito mal. Independentemente do nosso mérito ou demérito. Não sabemos se por decisão do destino, por erros nossos ou por sucessão de acasos. A vida permanece um mistério. Irresolúvel, mas que permite ser vivenciado (por um tempo limitado, na verdade muito menos do que desejaríamos, se a vida nos tratar bem). O nosso mundo é uma mistura incindível de extrema beleza e complexidade e extrema crueldade para todos os seres vivos). É incalculável a quantidade de seres inocentes (humanos e não humanos) que sofrem horrores a cada instante que passa. Os poetas percebem isto, com a sua apurada intuição e tentam em vão partilhar esse saber. Porém nem a Razão nem sequer a linguagem podem desvendar o mistério. (A sensibilidade poética pode coexistir com a ausência completa de expressão poética. Grandes poetas deswconhecidos vivem ou viveram poeticamente, sem ter escrito um único poema). Um filósofo sul-africano afirmou que não viver é preferível a viver. Não concordando, tendo a ver as coisas assim: Viver é apenas um átimo melhor que não viver. Quase se equivalem. Da mesma forma que o Tudo e o Nada, as duas possibilidades do real, quase se equivalem, sendo o Tudo apenas ligeiramente predominante, pelo menos por algum tempo (cósmico). Agradeço todos os dias o milagre da vida, por ela existir e me permitir partilhá-la, por ora, sem ser maltratado.

Wednesday, September 18, 2024

 

Maio, mês do coração

Desde há anos que em Portugal se comemora o mês de maio como "mês do coração". Comigo acerta em cheio: em maio de 2011 tive o primeiro ataque cardíaco. Em maio de 2024, o segundo. A estes dois sobrevivi e estou bem. Mas confesso que os próximos maios não me deixam muito tranquilo. Quem sabe se escapo ao terceiro, num maio qualquer?!

Monday, April 29, 2024

 

Beja, de novo.

Está a terminar abril de 2024. No início de março voltámos a morar em Beja, no prédio da Rua Prof. Bento de Jesus Caraça, onde já antes morámos. O bairro de Mira Serra já nos conhece e nós conhecemos o bairro. Estamos todos mais velhos dez anos, desde a última vez que daqui saímos, após o falecimento do meu pai, em 2014, quando com ele morámos no rés-do-chão, nos seus últimos meses de vida. Gosto deste novo capítulo das nossas vidas. Desta vez, moramos no segundo e último andar. Mais perto do céu. Beja é a cidade que escolhi para viver a minha vida adulta. E está certo.

Wednesday, June 21, 2023

 

Mortes

A primeira morte (a morte física) é a viragem decisiva, o fim da existência para quem parte e a tristeza e saudade para quem fica. A segunda morte é a que acontece somente quando morre a última pessoa que ainda conheceu e se lembra daquele que partiu antes ou muito antes. Depois, é o destino comum de tudo e de todos: o esquecimento para sempre. E os que são lembrados pelas suas obras e vidas marcantes? Ilusão apenas. Não são eles que são lembrados, mas as imagens parcelares, idealizadas, que os outros deles constroem. A única morte que verdadeiramente conta é a primeira, a que nos tira o mais precioso bem, a vida. O resto é totalmente indiferente para quem a perde (embora pese na mente e coração de quem fica). Ser lembrado, estimado ou idolatrado ou apenas esquecido, o mesmo vale, para o morto: nada. Aceitar a vida é estimá-la, enquanto dura. Aceitar a morte, para quando vier e certamente sempre vem, é também aceitar com naturalidade o esquecimento que nos cabe, a cada um de nós, como a todos e a tudo. J. Francisco 20 de junho de 2023

Tuesday, May 30, 2023

 

A Sobrecarga Normativa

incerteza da vida e da precaridade da saúde (todos os dias existem rúbricas ou notícias sobre saúde, que alertam para a existência de múltiplas doenças, que teoricamente podem chegar a qualquer momento a qualquer um. Noticiário deprimente sobre acidentes (rodoviários e outros) e criminalidade, para garantir a a permanência de um medo residual (mas ativo e persistente) perante a vida. Acresce a este quadro uma invisível teia de normativos legais (nacionais e supranacionais) que dificultam as atividades humanas, representando dispêncidos incalculáveis de recursos (humanos, materiais e financeiros) para tentar implementá-los no quotidiano das empresas e das pessoas. Regular as atividades humanas é necessário. Mas, a meu ver, o excesso regulatório é tão ou mais prejudicial à economia e à vida das pessoas, como a ausência de regulação (o laissez-faire). A nossa civilização sofre de excesso regulatório. Essa é, a meu ver, uma ameação invisível à qualidade de vida das futuras gerações. Porque a liberdade é condição da vida e a ela inerente. Veja-se a vida selvagem, compare-se com a vida domesticada, onde a liberdade foi esmagada ou destruída, que animais são mais felizes? Os livres, em estado selvagem, apesar de todas as incertezas inerentes (preço da liberdade). Ora, toda a regulação cerceia a liberdade, restringe o permitido, cria muros entre os agentes económicos (e diligentemente o Estado cria e recria impostos e taxas para obter recursos de todos os fluxos de capital). Esses muros erguem-se também entre as pessoas, encerradas cada vez mais num individualismo estéril e triste. Não será talvez um mundo melhor o que aí vem, para as novas gerações, apesar do previsível progresso científico e tecnológico em curso. Porque também este tenderá a aumentar a sobrecarga normativa, inimiga da liberdade, esse anseio profundo e vital de todos os seres.

Wednesday, February 22, 2023

 

Um ano de guerra.

Um ano de guerra na Ucrânia. A escolha malévola de Putin. Um ano de guerra na Ucrânia. A Rússia a massacrar um povo, a destruir vidas e bens. Morte de inocentes, sofrimento incalculável de muitos outros, milhões de deslocados e refugiados. A atingir milhões de pessoas (com a inflação galopante generalizada) por todo o planeta. E insiste. E promete agravar o conflito, a destruição, o sofrimento e a morte de milhões de inocentes, sobretudo na Ucrãnia, mas ameaçando galgar frmonteiras, n novos territórios, como incêndo incontrolável. A propaganda de Putin e a sua máquina oficial é muito eficaz internamente. Mas a inescrupulosa propagação de mentiras colossais, para convencer a opinião pública interna de que o que está a fazer é o correto, não pode evitar que os próprios saibam perfeitamentre que estão a mentir. Como conseguem dormir e acordar depois, ver-se ao espelho, sabendo que estão espalhando sofrimento e morte de inocentes, bem sabendo que são monstros morais, é um mistério. Um dos mistérios mais profundos da condição humana: deixar de ser humano e conseguir enganar a própria consciência, evitando ver os monstros morais em que se transformaram, continuando a fazer-se passar por humanos perante si mesmos (mas, de outro modo, como suportariam ver o seu próprio rosto horrendo?!).

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